Grupo composto por assistente social, técnica em enfermagem e psicóloga atuará na Unidade de Saúde e fará visitas domiciliares

Desde o início da semana a população de Ilópolis conta com um novo programa na Unidade Básica de Saúde do município. O Núcleo de Apoio à Atenção Básica (NAAB) irá trabalhar com dependentes químicos, pessoas depressivas, que precisam de ajuda, atendimentos em grupo e individuais.

O grupo NAAB é composto por uma assistente social, psicóloga e técnica em enfermagem, que estarão na Unidade Básica de Saúde todas as segundas e sextas-feiras, restando ainda a definição do outro meio turno, para completar as 20h semanais. Para a secretária de Saúde, Ana Capra Ecker, o programa irá somar ao trabalho que já é realizado pela psicóloga que atua na mesma linha com oficinas terapêuticas e dependentes químicos, e da técnica em enfermagem que trabalha nas escolas realizando palestras. “É um programa que para o município vai ajudar muito. Como secretária de Saúde estou feliz e realizada, e acho até que Ilópolis já o devia ter a mais tempo”.

Conforme Ana, o segundo medicamento que mais tem saída na farmácia básica é o antidepressivo. “Mais do que nunca temos que trabalhar as pessoas, temos que nos ajudar e peço para quem necessitar de ajuda, que se dirija à Unidade de Saúde. Quantas pessoas tomam uma medicação que não haveria necessidade, e às vezes, uma troca de ideias ou uma simples conversa poderia ajudar muito”. Além do atendimento na Unidade de Saúde, as profissionais farão visitas domiciliares. Trabalhando com a prevenção, a ideia é diminuir a medicação.

A ideia do programa surgiu durante a participação da secretária Ana em um congresso na cidade de Gramado, em junho de 2018. Porém, quando o projeto iniciou, assim como as negociações com a 16ª Coordenadoria Regional de Saúde, era preciso que um recurso do Estado começasse a entrar para o município, o que ocorreu apenas em 24 de maio. “Com o recurso garantido, foi realizada uma nova reunião com a 16ª CRS, onde soubemos que para a implantação do programa teria que ter uma assistente social, psicóloga e técnica de enfermagem para atender toda a população e os dois ESFs. As profissionais foram selecionadas via processo seletivo. Tenho certeza que vou aprender muito com elas”.

A assistente social Nilva Roman, que é de Ilópolis, se alegra em ver que o município foi contemplado com essa verba. “Já trabalhei em outros municípios, que também tinham esse projeto, e fico feliz em vir trabalhar aqui e principalmente nessa saúde, pois hoje em dia a gente vive em um mundo tão agitado, tão cheio de cobrança, que não tem muita gente para ouvir, dar atenção, ser acolhido”. Segundo ela, por meio do sofrimento fica mais fácil das pessoas dizerem que vão para o médico, do que aceitar que estão sofrendo, sem vontade para viver.

“Para o município implantar o NAAB teve que apresentar um projeto que passa pelo crivo da 16ª CRS. Com a confirmação da verba, há critérios, objetivos gerais e específicos para se gerenciar, além de prestar contas disso perante o Estado. O NAAB vem para ter acolhida entre os próprios profissionais, para que a equipe se apoie e crie estratégias dentro dessa realidade de sofrimento, de dependência, dificuldades na saúde mental. Não é só a dor física, mas a doença emocional também precisa ser tratada”, destaca Nilva.

Para a psicóloga de Nova Alvorada, Natália Campagnolo, que também atua no Hospital Leonilda Brunet, o objetivo do programa é apoiar, de alguma forma, toda a estrutura que se tem na saúde do município. “Vamos ver como estará daqui a seis meses a questão da medicação, porque muitas vezes a queixa da dor no braço, da dor na perna, é na verdade, a forma de se buscar ajuda. Na maioria dos casos, só uma conversa já resolveria muita coisa. E o programa está aí para isso, para prestar esse tipo de assistência e auxiliar todas as equipes presentes dentro da saúde de Ilópolis”.

Trabalhando por muitos anos no hospital da Capital Gaúcha, a técnica em enfermagem, Sidirlei Bertoncelli, de Porto Alegre, também integra o NAAB. “Estou aqui para agregar um pouco mais de conhecimento e para colocarmos em prática o NAAB que veio para somar para o município. Acredito que a população vai ficar muito feliz com esse programa que vai ajudar muito”.

Os Núcleos de Apoio à Atenção Básica foram criados em 2011, considerando 80% dos municípios gaúchos com até 16 mil habitantes que, por critérios populacionais considerados na época, não podiam implantar NASF, bem como a necessidade de pensar políticas específicas para esses municípios de pequeno porte.